quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Desistir

Desistir em meio ao bombardeio de citações cuja felicidade é o tema parece ser algo improvável, hoje mais do que nunca, falou-se tanto em determinação, perseverança, metas, sonhos. Fica até difícil falar em desistir, quando se tem um exercito dizendo que isto não é possível.

Mas desistir para mim é a opção mais viável quando a realidade vem a tona. Depois de tantas promessas fugazes de começo de ano, os dias e as semanas passam e elas continuam sendo apenas promessas. E o tempo já começa a te provar que isso ou aquilo é passado, e como o tempo passa, não é?

Os meses se tornam anos, e a procrastinação vai se tornando um hábito e com o hábito aqueles planos vão perdendo o brilho, até mesmo quando um novo ano nasce.

E depois de algumas primaveras, o tempo vai clareando sua mente, e mostrando a dura realidade da vida de uma pessoa comum, que nem todos os planos são viáveis, nem todos os sonhos são possíveis. E que a melhor saída, é desacreditar que aquele meio seria o melhor meio para buscar a tão preciosa e almejada felicidade, pois a correria é tanta que nem vemos o tempo passar, dias, semanas e meses loucamente vividos em busca de projeções falsas de nosso subconsciente ( ou fruto do desejo de outra pessoa, quem sabe? ).

Mas ainda sim, após tanta reflexão e conclusão, ainda temos que lidar com os julgamentos externos, ouvir que tudo é possível, que somos capazes de alcançar até o desejo mais intimo.

Meu caro, acredite, nem sempre desejar nos traz sentimentos bons, as vezes acontence o contrário, passamos a nos consumir por dentro em prol da realização de um desejo, que muitas vezes sabemos mas não admitimos a nós mesmos, são irreais e claro, impossíveis.

Desistir é a saída mais sábia para alguns de nossos sofrimentos.
Desistir não é algo feio, é sensatez.
Saber quando perdemos, ou melhor, quando nunca vamos ganhar também faz parte desse ciclo chamado vida.


Não foi fácil para mim desistir do que achei por tanto tempo ser o melhor para mim, mas assim que pude computar o que era mesmo necessário e o que era perca de tempo e esforço, foi absolutamente libertador.

Um comentário:

  1. Tão tolo é esse bombardeio de citações e de palavras-chave quanto a persistir em determinada situação: "foco", "metas", "força", "objetivos", "fé"; já parou para perceber que quem mais cita esses conceitos não os aplica na própria vida? Pois é, né...

    A procrastinação aparece quando começamos a perceber que determinado "objetivo" não nos é adequado, e por medo do pensamento alheio, aparentamos tentar atingi-lo até o momento em que as pessoas que nos cercam esqueçam disso. Isso me lembra da minha infância, quando trabalhar no Pólo Petroquímico de Triunfo/RS era considerado o "must" em termos de ambição e sucesso profissional, pois aquilo era uma empresa pública. Muito cara bom queria seguir carreira em determinada profissão, mas por pressão dos pais, namorada, noiva, amigos (que amigos, hem?) acabou cursando Química ou Engenharia e foi trabalhar lá, contrariando suas verdadeiras vontades. Para quê? Para comprar casas, automóveis e apartamentos que não queriam, para se casar com a mulher com quem no fim das contas não foi tão feliz, para ter filhos que não queria, para reprimir ainda mais uma homossexualidade que queria tanto viver. Resumindo, uma escolha equivocada pode gerar tanta infelicidade.

    Acredito que lidamos mais com nossos próprios julgamentos internos quando decidimos desistir de algo, pois eles estão tão contaminados por opiniões alheias que nem sabemos se são pensamentos nossos ou mera repetição dos de outras pessoas.

    Desistir, não poucas vezes, é um ato de coragem por meio do qual tomamos controle definitivo sobre nossas vidas, sendo que também é um meio de ganhar.

    Já dizia Buda que o desejo é a matriz do sofrimento, pois sempre necessitamos satisfazê-lo, ou este desejo tem como alvo algo impossível de ser conquistado, e disso advém mais sofrimento ainda.

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