segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Manequim


Era uma vez uma pessoa, uma pessoa comum como tantas outras. Ela como sempre fez passou de frente a uma loja de roupas, e na vitrine desta loja existia alguns manequins. Uns altos, outros menores, com peruca, de vestido outros de calças. Enfim, manequins!

A pessoa desta vez se interessou por um; - Por que não um manequim? Indagou.
E entrou na loja.
E dentro da loja tinha vários outros manequins, de variadas formas, com ou sem texturas, uns pareciam até reais mas a pessoa decidiu pelo manequim mais comum, aquele que vemos em feiras livres.
O manequim era de modelo feminino, posição ereta, de peruca de fio sintético, tinha apenas pintura nos olhos e na boca simulando batom nos lábios, estava nu.
- Eu quero esse!
Procurou um brechó mais próximo e escolheu as roupas mais simples, desde as peças intimas a uma jaqueta que de tão surrada perdera a cor azul. Comprou calça de linho na cor bege, aproveitou e comprou uma bijuteria para o pescoço.
Levou seu manequim. Montou-o e o vestiu. Colocou na sala próximo ao sofá de dois lugares e seguiu sua rotina diária.
No dia seguinte na euforia de ir ao trabalho a pessoa se assustou ao ver o manequim na sala, mas apos o susto sorriu pela tolice.
- Mais tarde conversamos.
E mais tarde chegou, e a pessoa sentou próximo ao manequim e começou a olha-lo. Olhou os cabelos, os olhos, as vestimentas, e achou que se esqueceu das sapatilhas para os pés.
- Amanha tratei teus sapatos.
E no dia seguinte foi a mesma coisa mas agora com os sapatos. No final do dia a pessoa sentava próxima ao manequim e o analisava. Sempre achava que faltava algo.
As vezes um da braços desencaixava do tronco, as vezes a peruca ficava torta mas nada que não pudesse dar um jeito.
E os dias se transformaram em semanas que se transformaram em alguns meses. A rotina era a mesma, mas a pessoa sempre achava um defeito no seu manequim.
Até que um dia se cansou de mudar, mudar e mudar. Cansou de mudar as roupas do seu manequim, da posição da peruca de seu manequim, cansou de encaixar o braço de seu manequim. Cansou de seu manequim.
- Você é como todos os outros. Achei que fosse diferente. Me decepcionei.
Quando comprei você pensei que seria diferente, mas você é um manequim, de plástico, igualzinho os outros. Você só muda de posição se eu o mudar, só muda de roupa se eu te vestir, só muda de lugar se assim eu o fizer. Você é um lixo!
E a pessoa pegou seu manequim levou para frente da casa, e deixou ao lado do latão de lixo. Voltou para dentro de sua casa.
E não demorou muito para que outra pessoa observasse o manequim proximo ao latão de lixo.
Não pensou duas vezes:
- Quero esse manequim para mim!
Pegou o manequim, despiu-o, retirou a peruca. E levou para sua casa, que por coincidência ou não, era um ateliê.
Lá ela tinha algumas roupas que precisavam ser experimentadas por manequim com o mesmo modelo que aquele que havia pegado perto do latão de lixo, um manequim ereto, modelo feminino. O vestiu e a pessoa se alegrou por ter feito um bom achado.
E todos os dias pessoas comuns compram seus manequins, os montam a sua maneira e algumas vezes se decepcionam com aquilo que criou, mas também pode acontecer que outros gostem dos seus manequins.
Os manequins sempre serão os mesmos, por mais que o modelo seja diferente, mas existem vários deles uns iguais aos outros.

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