terça-feira, 7 de maio de 2013

APRESENTANDO CHARLES BUKOWSKI AOS GOIANOS



Henry Charles Bukowski Júnior, nascido Heinrich Karl Bukowski, em 16-8-1920, na cidade alemã de Andernach, foi um contista, poeta e romancista norte-americano; sua obra, de caráter inicialmente obsceno e estilo coloquial, descreveu trabalhos braçais, bebedeiras e relacionamentos fugazes, fascinou mais de uma geração que nela encontrou uma literatura com a qual se identificou.

         Bukowski, quando criança, foi atormentado por um pai extremamente frustrado e autoritário (na verdade, um alcoólatra violento); ao atingir a adolescência, a isso se somou ter toda a parte superior do corpo e a face tomada por uma acne rara que o obrigou a se submeter a tratamentos médicos no hospital público de Los Angeles. No colégio, sua situação também não era das melhores; a ausência de carinho familiar e a vergonha de ter um rosto deformado o obrigam a fugir, abandonando o colégio para retornar apenas pouco mais de um ano depois.


O bar BUKOWSKI, no bairro de Botafogo (Rio de Janeiro/RJ).

         Neste período, encontra duas coisas que tornarão sua vida mais suportável: os livros e o álcool. Evidentemente, teve problemas com o alcoolismo; até em vista disso trabalhou em diversas ocupações temporárias, como frentista de posto de gasolina, motorista de caminhão, conferente de estoque. O emprego mais constante que teve foi no Correio dos Estados Unidos, onde trabalhou em dois períodos de tempo diferentes, nas décadas de 1950 e 1960, em um total de doze anos.





Teve seu primeiro livro de poesias editado aos trinta e cinco anos de idade; estreou na prosa em 1962, aos quarenta e dois anos. Escreveu grandes clássicos da literatura mundial, como “Fabulário Geral do Delírio Cotidiano”, “Notas De Um Velho Safado”, “O Amor É Um Cão Dos Diabos” “Mulheres”, e muito, muito mais!
            Faleceu em San Diego, Califórnia (E.U. A), em Nove de março de 1994, em consequência de uma leucemia.

“Mas, pra começar, o que ler de Bukowski”?

            CARTAS NA RUA: um relato sem meias palavras da vida deste escritor através de seu alter-ego Henry Chinaski; nele é abordada a época em que trabalhou no correio dos Estados Unidos. Imagine um cara já na meia-idade passar mais de 11 anos em uma rotina extremamente maçante, permeando isso tudo com bebedeiras homéricas, situações absurdas, altos e baixos, perdas pessoais, em meio a uma quase que permanente ressaca? Pois essa era a rotina do “velho safado” em dois períodos de tempo entre 1957 e 1969. Se você estivesse “condenado” a uma rotina estressante e sufocante como a descrita em “Cartas”, será que não agiria, não viveria de modo similar, pra não dizer, IGUAL?


            O AMOR É UM CÃO DOS DIABOS – certamente a coletânea de poesias mais famosa do autor; nela, cada estrofe (fui ver no dicionário se essa era a palavra adequada – não sei a diferença entre estrofe e verso, “parabéns” para mim, hein?) fere como uma navalha deveras afiada.


As vísceras do cotidiano são revolvidas e expostas, e de onde você menos imaginaria que pudesse brotar poesia, nascem versos de pura genialidade. Espectros recorrentes da madrugada procuram por um gole da bebida alcoólica mais forte disponível; são bares fechando, um cheio repulsivo de suor vencido misturado com o fedor de cigarro e vapores de álcool. Momentos em que a excitação surge da forma mais inesperada, ódios e melancolias palpitantes, momentos íntimos, prosaicos da relação homem-mulher, tópicos banais do cotidiano, as corridas de cavalo no hipódromo, música clássica, a vida em quartos imundos, esses microcosmos e outros tantos mais são o alvo do saudoso Henry Charles, esmiuçados em poemas escritos em 1974 e 1977, e mesmo tanto tempo depois, permanecem atuais (pois a vida, lá no seu âmago, não mudou quase nada), registrados em versos que continuam fascinar milhares de fãs da verdadeira literatura pelo mundo afora.
Sartre que me perdoe, todavia nem mesmo ele estava pronto para entender a surpreendente sutileza da escrita do “velho safado”!



     
 
NOTAS DE UM VELHO SAFADO – conjunto de crônicas redigidas para o jornal alternativo (de Los Angeles) “Open City”, o qual Charles Bukowski apelidou de “Open Pussy” (boceta aberta). Confusões envolvendo mulheres e imigrantes, falta de dinheiro, de perspectiva (de futuro mesmo), as situações mais descabidas no mundo do beisebol, o submundo da literatura, lutas de boxe, a Política americana daquela época (1969-1970), a Democracia, conflitos raciais e a hipocrisia de parte da sociedade americana em relação a isso, a loucura a que somos levados por uma vida pré-programada que nos é imposta, Literatura, taras sexuais, o movimento hippie, maconha, LSD, o Funky Bukowski, enfim, tantos e tantos contextos relatadas por um observador que não era lá muito chegado na erva, no rock and roll e no cinema, mas que nos legou O GUIA para se entender como eram os Estados Unidos naquele tempo, e porque continuam, de certo modo, a ser quase a mesma coisa na atualidade, tudo isso compilado pelo escritor mais HEAVY que a América produziu!


“Onde posso encontrar mais sobre Charles Bukowski”?





* Contando que este texto foi feito pelo Leandro A. Guimarães - meu psicanalista nas horas vagas ( quase todas ).
See You Later \o_

2 comentários:

  1. Muito esforço pra pouca repercussão, desanimador, não? Pelo que vejo a burrice é generalizada atualmente!

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  2. Mas por outro lado, fico tranquilo, pois cumpri a promessa e honrei nossa amizade.

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